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Reivindicações da cultura  

Cartas: MAP: A mudança também foi conceitual - do Popular ao Kitsch

José Aparecido Krichinak

Reduziram o MAP, não só em área expositiva, pior, muito pior, reduziram o museu em seus conceitos e em sua essência.

O MAP, desde que surgiu em 2007 tornou-se muito mais que um mero espaço expositivo, ali se formou um ambiente vivo e pulsante da arte popular, dos artistas, da comunidade e da cultura. Foram anos de trabalhos surpreendentes, digo isto pelo que vi, sua capacidade de mobilização artística, sua capacidade de comunicar a graça e a riqueza da nossa brasilidade mais simples e mais profunda.

O MAP era identificado como um espaço quase sagrado, muito querido, de forte presença da comunidade, de pulsante e alegres vivências de partilha cultural, de acesso à sabedoria popular. Visitar o MAP era uma experiência única, de brasilidade, não havia como sair dali sem um olhar ampliado de nossa diversidade cultural e descobrir ali muitos 'tesouros', todos nascidos dos sonhos dos artistas, nascidos da força da alma poética de nossa gente.

As dimensões do espaço eram muito importantes não só pela possibilidade de poder expor um número maior e diverso de obras, mas fundamentalmente por expressar amplidão, a liberdade do espírito criativo. Presenciei inúmeras vezes o encantamento o que mesmo gerava nos visitantes, que, tinham os olhos a brilhar, que, ao mesmo tempo, também , e quase automaticamente, comentavam se sentirem em 'casa', isto em referência tanto pelas memórias afetivas reencontradas nas obras, quanto pela acolhida e configuração poética do espaço.

Quanto ao novo espaço, não fui a inauguração, estava no CC Nogueira, no entanto pude ver várias fotos sobre como ficou o espaço e a exposição. Primeiro, sobre o espaço, de fato, é muito mais acanhado que o antigo, muito mais restrito é a área expositiva e mais, falta 'respiro' achei um tanto aglomerada a disposição das obras, sem um abertura, um 'caminho', como existia antes. Sobre as obras, senti falta, nas imagens, de ver o avião, os brinquedos e bonecas do Zé Pretinho, o presépio do Virso de Vecchi, a instalação Restos de Um Naufrágio de Cipriano Souza, o totem de cerâmica Odon Nogueira, que retrata a vida e obra de Waldomiro de Deus, a instalação com os bonecos do teatro de Celso Ohi, da Lenda da Víúva Velha... enfim, obras de maior porte e que o espaço teria muita dificuldade de expor.

A fachada do prédio e a entrada do MAP, ao meu olhar, ficaram muito estranhas. Por ser originalmente um prédio comercial o mesmo agora com a nova utilização ficou parecendo uma 'loja' muito mais que um museu, com acesso direto da calçada. Ao que vi foram colocadas plotagens em vidros para a rua, aliás, parece que algumas plotagens são reproduções de fragmentos de obras, não achei que ficou bom, aliás até a escolha das obras para a composição ficou esquisita, um tanto Kitsch Por dentro, a imagem espacial lembra muito aquelas divisórias de box de galerias comerciais,muito diferente de como era antes. Em suma: mais vazio de obras e sentido ao mesmo tempo poluído de reprodução de imagens e publicidade.

Enfim, mesmo preservando o mesmo acervo, o MAP atual é muito, mas muito mesmo, diferente do antigo MAP, tanto esteticamente quanto a concepção curatorial e política. E são mesmo dois projetos distintos e é verdade também que há quem prefira o modo como ficou agora. São opções, leituras, sensibilidade de cada um, que cada qual avalie e escolha seguindo sua concepção de arte e de museu.
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Obs. sobre a visita técnica do SISEM ao MAP quero esclarecer que fui eu, em 2012, quando dirigia o MAP, que solicitei, agendei e acompanhei a técnica que o produziu, no entanto, o relatório só foi concluído e entregue ao MAP em 2013 e não houve discussão sobre o mesmo, o qual, aliás, tenho um tanto de questionamentos e não foi feita a discussão do mesmo por indicação do SISEM, que expor que só discutiria o relatório com a presença de representante da Secretaria de Cultura, para que assumisse compromissos de investimento e assim o relatório foi entregue logo ao começo da gestão à Secretaria e como não tivemos retorno da Secretaria nunca foram feitas reuniões para tal discussão.De todo modo, os investimentos feitos agora para a inauguração do novo prédio do MAP seriam mais que suficientes para corrigir/adaptar as questões levantadas e descritas e solicitadas no referido relatório.

 

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