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Reivindicações da cultura  

Cartas

Julio Tavares

Texto de Julio Tavares com sua impressão sobre o dia da audiência (compartilhem todos precisam ler este texto)

Caros companheiros e companheiras,

Hoje é um dia feliz, um dia de comemoração. É assim que devemos saudar todos os dias que os oprimidos e descriminados se levantam e dizem não ao poder opressivo, autoritário, excludente dos poderosos do poder, ou dos seus funcionários, ou dos seus seguidores. Hoje me sinto, mais uma vez, feliz e orgulhoso dos artistas, produtores, dos guerreiros e guerreiras negros e negras de Diadema e dos nossos parceiros vereadores, a combativa bancada do PT.

Eu vi uma luta de um povo orgulhoso. Eu vi braços erguidos dizem não e não. Um vi, e participei de um momento histórico da luta pela cultura, pela dignidade, pelos direitos que estão sendo esmagados, ou em vias disso. Eu vi dandaras. Eu vi zumbias. Eu, naquele momento, de peito ardendo, vivi junto com vocês o processo que Vinicius de Morais cantou em operário em construção quando o operário disse não.

Ali, naquele recinto da Câmara de Vereadores, mesmo, talvez ainda, sem toda a consciência do momento e de seus desdobramentos, duas concepções de cultura se chocaram de frente. Não duas concepções já formuladas no conjunto de suas metas, estratégias, táticas, dialeticidade, mas na profundidade e dureza da batalha. Não duas concepções teoricamente formuladas, mas que diziam de duas vertentes, energias vindas de blocos sociais, políticos e ideológicos que compõem a sociedade brasileira desde a invasão colonialista das terras que foram denominadas de Brasil. Podem ter havido, em alguns momentos, em algumas falas, imprecisões, mas a direção de conjunto foi certa.

Ariano Suassuna, partindo de Machado de Assis, formulou a teoria de que em nosso país, desde sua origem, existem dois blocos: o Brasil Real e o Brasil Oficial. O Brasil Oficial é o das classes dominantes. O Brasil Real é a dos oprimidos e explorados, dos negros, índios, dos brancos pobres. Ontem, representantes do Brasil Real gritaram não. Foi mais um dia histórico. E eu estou feliz.

A concepção de cultura que necessita e luta o Brasil Real, creio, é gestada e se desdobra em uma gestão cultura, de democracia ampla, de orçamento participativo, de respeito aos artistas, de produtores culturais, funcionários e ao povo da cidade. Esse povo de Diadema que agora é mais profundamente desrespeitado quando tem que pagar para frequentar bons espetáculos (e alguns, nem tanto) no Clara Nunes, um equipamento público que foi construído com o seu suor, seus impostos. Esse povo, que de maneira muito expressiva, é negro, de origem negra, é parte do Brasil Real, e sente descriminado, como vimos nos relatos de tantos companheiros e companheiras, principalmente nas vibrantes falas de suas guerreiras, de suas dandaras.

Bom, que comecei apenas querendo dar os parabéns a todos que participaram daquele momento e dizer da minha alegria, mas vi que terminei me alongando um pouco. Peço desculpas por isso.

Vamos juntos. Um abraço a todos e todas,

 

 

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  Movimentos Culturais cobram secretário em Diadema (ABCDmaior 16-07-15)  
Vídeos  
  Tribunas Livres (2015)  
  Audiência Pública (14-07-15)  
Cartas  
  Júlio Tavares (15-07-2015)  
  José Aparecido Krichinak (15-07-2015)  
  José Aparecido Krichinak (29-09-2015)  
  Rafael Marques(27-09-2015)