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Reivindicações da cultura  

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Coletivo Hip Hop

Vemos a necessidade de pontuar algumas falhas exercidas pela atual gestão da Secretaria de Cultura de Diadema, a fim de cobrarmos algum parecer diante as ações advindas da mesma perante nossas atividades estabelecidas em leis. Não queremos aqui, acusar os erros de pessoas, mas sim da gestão como um todo, mesmo que alguns nomes apareçam no decorrer do documento, sabemos que os eles estão sobre gestão de um órgão superior, a Secretaria de Cultura de Diadema e por sua vez sobre a Prefeitura de Diadema.

Em dezembro de 2013, ao final do último Hip Hop em Ação realizado na Casa do Hip Hop de Diadema, foram feitos alguns questionamentos ao DJ Dandan que, na época, era a pessoa contratada pela Secretaria de Cultura responsável por acompanhar e desenvolver as atividades de Hip Hop na cidade. Os questionamentos que foram feitos eram, por exemplo, quais seriam as diretrizes que a equipe adotaria para a Casa do Hip Hop para serem executadas nos próximos anos, assim como quais seriam as ações descentralizadas que seriam tomadas para que outras partes da cidade fossem contempladas, esta questão em especial, foi levantada pelo Mano Braz e sua esposa que estavam presentes e que são moradores do bairro Eldorado.

O Beto Criolo aproveitou para informar que o Setorial da Cultura Hip Hop estava acontecendo no bairro do Eldorado e fez o convite para que, quem quisesse participar, as atividades iriam ser retomadas na segunda quinzena de janeiro de 2014. Algumas reuniões do Setorial aconteceram discutindo, por exemplo, mudanças conceituais da Lei (n° 3.437) da semana do Hip Hop e quem seria responsável por determinada demanda, além de outras da cultura da cidade.

Aproveitamos essas movimentações e solicitamos reuniões com o Sr. Secretário de Cultura Gilberto Moura (Giba) para discutirmos com a Secretaria de Cultura (SECULT) essas questões jurídicas e propostas de encaminhamentos dos eventos de Hip Hop para o ano de 2014. Neste momento, o DJ Dandan não mais fazia parte das reuniões e o seu desligamento da SECULT veio ao nosso conhecimento pouco tempo depois.

Foram feitas diversas reuniões, boa parte delas não mais no Eldorado, agora na Casa do Hip Hop. No início, as reuniões contavam com mais de 30 (trinta) pessoas que representavam diversos bairros da cidade, inclusive representantes da SECULT, entre elas, o próprio Secretário e seus assistentes Alexandre Machado e Alberto Lima. Dessas reuniões, surgiu a ideia de formarmos um coletivo de Hip Hop da cidade que encaminhasse as demandas. E isso aconteceu, assim nasce o Coletivo Hip Hop Diadema.

Antes mesmo do aniversário da Casa do Hip Hop no mês de julho de 2014, o número de participantes desses encontros de decisões já havia reduzido consideravelmente. Por este fato, o Sr. Secretário deslegitima o Coletivo Hip Hop Diadema tempos depois afirmando, em uma reunião em 2015 que, “um grupo de meia dúzia de gato pingado não poderia articular e nem propor nada”.  

Além do 15º aniversário da Casa do Hip Hop, tiramos como meta mais dois eventos para serem realizados: O 3º Encontro de Hip Hop que é originalmente organizado pelo grupo Consciência de Rua e; o outro foi a Semana de Hip Hop de Diadema (N° 3.437, de 11 de junho de 2014). Infelizmente, só conseguimos realizar dois deles: O 15° Aniversário da Casa do Hip Hop e a 3ª Semana de Hip Hop.

Pedimos incansavelmente um Placa da Casa, para valorizar o espaço e ainda se consolidar como ponto turístico. Essa solicitação acompanha os militantes da cultura há muito tempo e, essa foi uma promessa do Secretário que ela seria formalizada no 15º Aniversário da Casa. Mas, em seu lugar foi instalado um banner dizendo que representaria a placa.

Um dos discursos utilizados pela gestão foi a falta de dinheiro e, por isso, teríamos que trabalhar com essa perspectiva; a ideia de parcerias não aconteceu, entre elas a Secretaria de Estado da Cultura e o SESC São Caetano.

Faltando uma semana para o evento, a SECULT disse que iria ligar diretamente para alguém responsável pela linguagem do Hip Hop em âmbito estadual e, como resultado, não conseguimos captar nenhuma verba.

Enquanto o evento, Aniversário da Casa do Hip Hop de 15 anos, estava acontecendo, para chamar atenção, o secretário pediu a fala, exibiu uma série de Slides e começou a fazer um discurso político-partidário das melhorias que a sua gestão havia conseguido para a cidade, fato que dispersou os presentes.

Na sala de edição, onde a cobertura colaborativa acontecia de forma harmônica entre diversos coletivos de diversas funções, o secretario não se sentiu contemplado com o material que estava sendo gerado pela equipe de comunicação e, de forma autoritária, ameaçou de demissão nosso companheiro Renato de Souza que trabalhava na Casa há vários anos, obrigando-o a interferir no material gerado e impor que colocasse sua fala dizendo “nós unificamos o movimento da cidade”, o que é uma inverdade.

Na Semana de Cultura Hip Hop, sem equipamentos e sem tempo hábil para a realização, esse evento foi feito de forma precária, e novamente o secretário cobrou, dos organizadores, a falta de público na abertura do evento. Em resposta, ressaltamos que o evento não é apenas do coletivo, mas sim da cidade. Conseguimos percorrer alguns espaços e tivemos o público do Educação de Jovens e Adultos (EJA), fato que impulsionou o bom andamento da programação pós abertura.

Um fato que nos deixou bastante constrangidos foi o que ocorreu com a exibição do documentário TRIUNFO - O FILME. Nas reuniões de programação da 3ª Semana do Hip Hop, havíamos decidido incluir o filme, já que se tratava de Nelson Triunfo, ícone da cultura Hip Hop no país, que tem uma vasta história na cidade de Diadema.

No outro dia fizemos contato com a produtora do filme de Nelson e eles aceitaram sem hesitar. Bastava apenas fechar o local para a exibição. Como a cidade tem um cinema de ponta, ou seja, o Cine Eldorado, resolvemos buscar o local para fazer uma exibição de qualidade.

Nos respaldamos na lei N° 3.437, de 11 de junho de 2014, em que tem como objetivo a declaração da semana do HIP HOP de Diadema, a ser realizada anualmente na semana do dia 12 de novembro.

Esta lei dispõe no artigo 2°, a seguinte garantia – A utilização livre e irrestrita de espaços públicos, desde que, previamente agendada, para apresentação e encontros da cultura hip hop, de forma descentralizada por todos os munícipes.

O Plano Municipal de Cultura de Diadema 2012 – 2021, lei N° 3.214, de 02 de abril de 2012, ressalta no terceiro programa estratégico a Sustentabilidade e Fortalecimento da Produção Cultural, a Criação de espaços de referência da cultura negra com atuação na difusão, formação e registro das manifestações culturais afro-brasileiras, em que temos o perfeito encaixe das atividades do movimento HIP HOP, quando estamos tocando no assunto histórico e de surgimento deste movimento cultural.

O Plano Municipal de Cultura de Diadema 2012 – 2021, também ressalta no quarto programa estratégico de Ampliação do Acesso e Sensibilização de Públicos a Implementação da Lei 10.639/03 viabilizando projetos de difusão e formação de dança e cultura negra em escolas de ensino fundamental, médio e superior do ensino público, centros culturais e espaços alternativos. Tal informe se enquadra mais uma vez na questão do impedimento de tal ponto estratégico passar da teoria para a prática nas comunidades da cidade de Diadema, uma vez que o documentário trataria dos cinco elementos do HIP HOP.

Este mesmo plano estratégico vai relatar a necessidade da realização de seminários que enfoquem a tradição literária dos povos, em específico da tradição africana. Justo ponto que seria tocado em nossa atividade, quando traríamos o diálogo pós assistirmos o filme com o intuito de oralizar nossa ancestralidade e contextualizar em nossa atualidade diante a visão das pessoas que hoje vivem em Diadema.

Embasados nestas leis e, na forma como são propagadas nossa arte pela cidade, descentralizamos as ações pela semana do HIP HOP com o intuito de agregar todas as regiões de Diadema e participantes da sociedade civil.

No primeiro momento o responsável pelo Cinema Diego Souza, havia agendada no 19/09/2014 às 18h05. Anexo 1. Tal atividade foi agendada para o dia 14/11/2015 às 19h. No entanto, dias depois, o próprio Diego disse que não seria possível a realização do evento no espaço, pois a secretaria iria usá-lo. Anexo 2

Nos questionamos através seguinte raciocínio – “Será que foi por que o Nelson Triunfo tentou a candidatura para vereador pelo PT? E o partido que esta na gestão é de oposição?”

Semanas depois veio a confirmação de não incluir o evento na programação oficial da cidade. Por fim, fizemos um evento grandioso de resistência com apoio apenas da Acer e da produtora do filme, a Canal Aberto.

Podemos considerar que o nosso desgaste com a SECULT começa na realização do aniversário da Casa e se consolida na Semana de Hip Hop, ambas em 2014.

Permanecendo no relato sobre o ano 2014, tivemos dois fatos lamentáveis. O primeiro, no Encontro de MCs, onde a presença de Slim Rimografia, um MC que passou pela casa como oficineiro e hoje já estabeleceu sua carreira no cenário do Hip Hop no Brasil que, na ocasião, era a primeira aparição em público após ele deixar o Big Brother Brasil. Ele havia preparado um show para ser apresentado na Casa do Hip Hop, entretanto, devida a falta de equipamentos de som do espaço e a falta de apoio, não foi possível sua realização.

O segundo fato foi no Hip Hop em ação do mês de novembro de 2014, onde o descaso foi impressionante. O gestor da Casa do Hip Hop de Diadema, havia conseguido, de graça, o artista Ba-Kimbuta e a banda Makomba para a realização de um show no mês da Consciência Negra, a Secretaria de Cultura só teria o trabalho de buscar o artista em São Bernardo do Campo. Devidamente agendado, o artista esperando, o público crente na realização do show, tudo certo e, no fim, o transporte da secretaria não buscou os músicos. Anexo3

Em 2015, não sentimos que o discurso por parte da SECULT nas primeiras reuniões de organização do 16º Aniversário da Casa do Hip Hop mudou, pois ela apresentou somente as dificuldades, as mesmas do ano anterior no que se refere ao valor destinado à realização do evento. Porém, tivemos o agravamento de outras situações que ocorreram:

  1. Ojeriza à proposta do Coletivo Hip Hop Diadema pelo fato dela contemplar o Coletivo DiadeNega e o dia 25 de julho que é comemorado o dia Internacional da Mulher Negra e Afro Caribenha;
  2. Perseguição ao Coletivo DiadeNega;
  3. Deslegitimação da curadoria do graffiti na pessoa de Nenê Surreal, em que colocou um dançarino para cuidar do elemento graffiti;
  4. Descaracterização da Casa, pintando a maioria dos graffitis de uma só vez, fato que nunca aconteceu antes. Pintando, inclusive o Logo da Universal Zulu Nation. Um logo que explica, de forma simbólica, os fundamentos do Hip Hop. Um Logo que existe em todos grandes difusores da cultura Hip Hop no mundo. Anexo4.

Por essas questões acima, rompemos com a SECULT que assume uma posição autoritária nos impedindo de seguir com a nossa proposta de trazer para o Aniversário da Casa do Hip Hop de 2015.

O desrespeito à companheira Nenê Surreal do Coletivo DiadeNega que, em uma reunião de organização do Aniversário da Casa de 2015 estava como curadora da linguagem Graffiti e, na semana seguinte boa parte das ações do graffiti já tinham sido dirigidas pelo curador da dança.

A institucionalização da página da Casa do Hip Hop é outro tópico a ser levado em consideração. Com tais mudanças, deixou de ser gerido por um coletivo de Hip Hop da cidade e passa a ser gerido pela Secretaria de Cultura, deslegitimando todo um trabalho histórico desenvolvido no espaço por seus protagonistas que a freqüentam desde o seu nascimento. Excluindo, inclusive, a identidade da Casa do Hip Hop na cidade, pois, atualmente, podemos observar que existem várias postagens do secretário para autopromoção.

Devido essa gestão truculenta, podemos observar algumas importantes perdas, não somente para a Casa, mas para o Hip Hop da cidade como um todo. Por exemplo, ações de sucesso como a feira solidária que teve o seu lançamento no ano passado juntamente com a moeda social “Quilombo” que não terá continuidade este ano e foi adotada pela Rede das Casas neste ano de 2015 em um encontro estadual em junho, em Araçatuba.

Outro fator importante seria a não representatividade da Casa Hip Hop de Diadema na Rede das Casas, esta por sua vez reúne o movimento Hip Hop do Brasil inteiro, com o intuito de articular um bem comum.

Importante ressaltar que o Coletivo Hip Hop Diadema alcançou, durante a gestão compartilhada das ações no 15° Aniversario da Casa do Hip Hop Diadema, as seguintes metas:

  • Lançamento do Setorial Rede das Casas (cerca de 17 cidades presentes na atividade);
  • Lançamento do Setorial de Economia das Culturas, em parceria com a Ecosol;
  • Lançamento da Moeda Solidária “QUILOMBO” (onde 10% de todo valor arrecadado ficou para manutenção da casa);
  • Feira de economia solidária, envolvendo diversos empreendedores de diversos setores;
  • Palestra com Honerê Al amin Oadq, que ressaltou a importância do movimento Hip Hop no combate ao Genocídio na Palestina;
  • Lançamento do livro O Brasil é um Quilombo - De Gaspar Záfrica Brasil;
  • Graffiti com mais de 120 artistas do ABC e Região;
  • Realização de 12 (doze) vídeos de cobertura simultânea, sendo um deles, o  videoclipe intitulado “Marcha”, que foi usado para chamamento da mobilização nacional contra o Genocídio do Povo Negro Pobre e Periférico. Gravação desta música em estúdio móvel nas dependências da Casa do Hip Hop;
  • Parceria com Mídia Ninja e Casa Fora do Eixo para o registro fotográfico do evento;
  • 2 Dias de programação para o 15º Aniversário da Casa;
  • Realização do campeonato de DJs 4/4 Batidas e Scratches;
  • Exposição de pinturas de telas do Coletivo Art Urbana Crew;
  • Elaboração de identidade visual própria;
  • Parceria com o Sarau desenvolvido com o Coletivo DiadeNega;
  • Homenagem em forma de graffiti ao Guarda Nardo, funcionário da GCM que colaborou muito para as ações da Casa do Hip Hop;
  • Confecção de camisetas do logo da Casa do Hip Hop com a hashtag #eutambemsoucasadohiphop além de outros produtos como a carteira com do 15º Aniversário da Casa;
  • Vetorização do logo da Casa do Hip Hop;
  • Artistas importantes do cenário vindo a preço de custo como Rafhão Alafim, Rincon Sapiência, Marcelo Gugu, Gaspar Záfrica Brasil;
  • Narrativa de divulgação massiva;
  • Inscrição do projeto Aniversário da Casa do Hip Hop no edital Prêmio de Culturas Afro Brasileiras encaminhado pela Fundação Cultural Palmares.

Diante da falta de apoio e respeito para com os artistas que estavam empenhados em realizar as atividades e o descumprimento das leis, nós fazemos aqui uma notificação de repúdio de como as questões culturais vem sendo tratadas, sempre impostas pela secretaria, ao ponto de se colocar acima de leis promulgadas pela Câmara dos Vereadores de Diadema e por todos estes anos de movimento HIP HOP feito com diversas mãos na cidade.

Para além das questões institucionais, estas leis foram sancionadas com o objetivo de concretizar a relação com crianças e jovens promovendo apoio ao movimento social na cidade. Entendemos que ações como esta, de boicote de atividades sociais, precarizam o desenvolvimento da juventude, uma vez que este espaço tem como perspectiva levar conhecimento da história e das possibilidades da arte para com os mesmos. 
Não podemos mais perder a juventude pelas mazelas implantadas pelo sistema econômico que vivemos. Temos sim que concretizar as ações dos direitos conquistados pelo movimento social, como nos apoia a Constituição Federal de 1988 e todos os movimentos sociais resistentes da nossa contemporaneidade.

Assina este texto: COLETIVO HIP DIADEMA (coletivoh2diadema@gmail.com

 

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