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Reivindicações da cultura  

Texto de Dalila Teles Veras

Boa Noite. Boa noite, Sra. vereadora Lilian Cabrera, autora do requerimento para realização desta Audiência Pública, em nome de quem cumprimento todos os companheiros desta mesa. Boa noite mestre Jeronimo Soares em nome de quem cumprimento todo este povo da cultura.


Em nome do Fórum Permanente de Debates Culturais do Grande ABC, do qual sou coordenadora desde 2007, em nome do Movimento Cultura Viva Santo André, com o qual também colaboro, ambos aqui por mim representados, agradeço o convite do movimento PróCultura de Diadema, responsável pelo pedido desta Audiência Pública, movimento ao qual aderimos incondicionalmente desde o primeiro momento, por reconhecermos sua legitimidade no sentido de reivindicar a melhoria e preservação dos espaços públicos através de diretrizes de políticas públicas transparentes para a cultura deste município.  Dentre os importantes itens aqui pautados, desejamos ressaltar e denunciar a grave situação do MAP - Museu de Arte Popular de Diadema, com a retirada do seu lugar de origem, sem que um  debate ou planejamento prévio fossem realizados, atitude que põe em risco sua história e a própria existência do museu.


Riobaldo, imortal personagem de Grande Sertão Veredas, disse que "nome de lugar onde alguém já nasceu, devia de estar sagrado". Isto pode se aplicar ao caso do MAP Museu de Arte Popular de Diadema, que nestes seus 8 anos de funcionamento construiu  uma identidade e constitui-se hoje numa incontestável referência nacional.  Sim, o solo onde bens culturais se enraizaram e se tornaram marcas de referência da cidade, reconhecidas aqui e muito além, como é o caso do MAP, devem estar sagrados, como queria Riobaldo e seu criador Guimarães Rosa.


Eu estava lá, em 28 de outubro de 2007 e não há como não lembrar a indescritível atmosfera de sonho realizado que ali pairava. Sonho do artista Ricardo Amadasi, seu idealizador, Coordenador Técnico e Curador que, após pesquisa, percorreu vários estados brasileiros na recolha de boa parte do que hoje compõe o impressionante rico e diversificado acervo do MAP. Sonho da jovem equipe que ali estava presente, com o entusiasmo de quem sabe da missão cidadã que assumiu. Sonho coletivo de muitos que a este sonho aderiram.


A partir de então aquele espaço passou a exercer o papel para o qual foi idealizado, ou seja,  "um lugar que faça justiça à riquíssima arte e cultura popular brasileira", mas não só, passou também a ser um museu vivo que, além das exposições que,  através de importantes parcerias, criaram pontes culturais com vários importantes artistas e espaços culturais de outras localidades do país, transformando-se também num espaço para encontros e trocas, um espaço para pesquisa, um espaço de ações educativas reconhecido por gente de abalizada opinião. Haja vista sua história relatada em 3 alentados catálogos, nos quais é possível avaliar com isenção essa bela trajetória que só honra e leva o nome de Diadema para fora de suas fronteiras.


O MAP é local, a partir do significado simbólico do seu logotipo, criado por um artista residente na cidade, o mestre Jeronimo Soares, cuja arte de há muito ultrapassou fronteiras. A local também pela inestimável riqueza da representação de outros tantos mestres populares residentes aqui e ao redor.

O MAP é do Brasil, pelo seu importantíssimo e inestimável acervo de mais de 800 peças de artistas populares brasileiros, no qual se inclui um importante presépio composto de 700 peças, hoje triste e precariamente encaixotado, à espera de uma mudança.


O MAP é do mundo, porque além de ser o primeiro e até o momento único no seu gênero em nossa região, representa o que há de mais legítimo na cultura brasileira. No dizer do crítico de arte Oscar D´Ambrósio, "o MAP inscreve seu nome entre as poucas instituições nacionais que trata a arte e a cultura popular com o respeito e a dignidade que ambas merecem". Aqui faço um parentesis para dizer que hoje esse verbo "inscreve", por força de uma decisão desastrosa, está, e esperamos que provisoriamente,  conjugado no passado.


Pois bem, esse importante bem cultural hoje corre sérios de ser descaracterizado e esse é um dos motivos de estarmos aqui.


Reforçamos, assim, o que um abaixo assinado já reivindicou, ou seja, a revogação imediata da decisão de mudança de local do MAP, inestimável bem cultural público, criado pela vontade popular e que tão bem representa a cultura brasileira e o imaginário coletivo da própria população de Diadema, composta por migrantes de todos os rincões brasileiros.


Muito obrigada


Deixo aqui a minha crença nos bons encaminhamentos e ações reparadoras calcadas na verdadeira participação popular. 

Obrigada.

Dalila Teles Veras
Audiência Pública pró-Cultura, Câmara Municipal de Diadema
14.07.2015

 

 

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